Papa autoriza o perdão da Igreja às mulheres que abortaram

Francisco, 79, faz mais uma revolução na Igreja, para torná-la mais de acordo com estes tempos

Francisco, 79, faz mais uma revolução na Igreja, para torná-la mais de acordo com estes tempos

Maya Santana, 50emais

Faltando pouco tempo para completar 80 anos – em 17 de dezembro – o papa Francisco dá mais uma mostra da grandeza de sua alma, ao autorizar os padres a concederem o perdão às mulheres que fizeram aborto. É uma mudança radical no comportamento da Igreja Católica em relação à questão, uma revolução mesmo. Convivi com muitas mulheres que se submeteram a aborto, em clínicas clandestinas ou usando medicamentos. Sei que várias delas levam pela vida o peso de terem cometido “um grave pecado”. A decisão de Francisco representa muito. Contei uma vez aqui no 50emais o meu choque ao entrevistar um padre da minha cidade sobre o aborto e ouvir dele o seguinte: “Toda mulher que fez aborto tem que levar para a sepultura esse peso”. Um padre rancoroso que, com certeza, não cabe mais na Igreja de Francisco. Temos que rezar para que o atual papa viva muito, de maneira que possa continuar a lutar para que o mundo, tão convulsionado, seja um lugar melhor para todos, com menos preconceito, mais compreensão e tolerância.

Leia o artigo de O Globo sobre o perdão a quem fez aborto:

Em caráter definitivo, o Papa Francisco autorizou, nessa segunda-feira (21), que todos os padres da Igreja Católica possam perdoar o aborto. Antes, somente bispos poderiam fazer isso. Com a decisão, quem fizer aborto – médicos e pacientes – não será mais excomungado pela Igreja.

Foi mais uma revolução de Francisco. Em uma carta apostólica, ele deu aos padres o direito permanente de absolver as pessoas que praticaram o aborto. O Papa decidiu que esta conduta anunciada para o Jubileu da Misericórdia deve continuar, mesmo depois do ano santo, que foi encerrado no domingo (20).

As palavras do pontífice foram: “Para que nenhum obstáculo interfira entre o pedido de reconciliação e o perdão de Deus, concedo a partir de agora a todos os sacerdotes, com a força do ministério deles, a faculdade de absolver os que cometeram o pecado do aborto”.

O documento pede que os casos sejam analisados não apenas pelas normas da Igreja, mas pela misericórdia e pela justiça divina. O Papa ressaltou que a misericórdia é um valor social, que deve devolver dignidade a milhões de pessoas e que ninguém pode impor condições à clemência divina, em uma resposta à ala integralista da Igreja, que não concorda com as suas opiniões e reformas.

Outro desejo que o Papa Francisco expressou na carta apostólica é que seja instituído o dia mundial dos pobres. No domingo, ele fechou a porta santa da Basílica de Pedro, que deverá ser reaberta só em 2025, mas afirmou que as portas do perdão e da misericórdia devem continuar abertas.

Em nota, a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) disse que acolheu as orientações do Papa e disse que elas são mais um gesto misericordioso dele para todos os católicos. A CNBB disse que cada bispo, em sua diocese, passará as orientações necessárias ao clero e ao povo.

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