Por que os bancos tratam tão mal os nossos velhos?

Em algumas agências, não sequer lugar para os mais velhos se sentarem

Em algumas agências, não sequer lugar para os mais velhos se sentarem

Maya Santana, 50emais-

Não há distinção. Todos os bancos do país tratam os idosos com enorme displicência, que bem poderia ser traduzida por desprezo. Se você não tem uma conta “Prime”, “Personnalité”, “Estilo” ou outra com um nome besta qualquer, precisa de uma paciência infinita quando vai utilizar qualquer serviço do banco. É como se o tempo de quem já passou dos 60 não contasse mais, portanto, não tem importância se os clientes mais antigos ficarem uma hora ou duas horas esperando para serem atendidos.

Fingem que dão tratamento especial aos velhos: instalam placa num local bem visível com a palavra “Prioritários.” Esquecem-se que o Brasil envelheceu. A turma dos cabelos grisalhos tornou-se muito mais numerosa. E, invariavelmente, há apenas um caixa para atender a verdadeira multidão, principalmente se for nos primeiros 15 dias do mês.

Fiquei impressionada quando li nos jornais desta sexta-feira o tamanho do lucro dos bancos brasileiros – O Banco do Brasil (BB) anunciou que fechou o primeiro semestre do ano com lucro líquido de R$ 8,8 bilhões — uma cifra 9,1% maior que a registrada no mesmo período de 2014. Com o resultado, o ganho semestral conjunto de quatro gigantes do varejo do país (Itaú, Bradesco e Santander, além do próprio BB) somou R$ 33,8 bilhões, um aumento de 46,5% sobre o registrado nos primeiros seis meses do ano passado. Uma vez mais me veio a pergunta: por que será que os bancos do país tratam tão mal seus clientes mais maduros, muitos deles com contas que datam de 30/40 anos atrás?

Não sou contra lucro de banco. Esse é um tipo de instituição criada para lucrar. Só que aqui, levando-se em consideração o serviço que prestam, os lucros dos bancos são imorais. E mesmo com tanto dinheiro, não se prestam nem a instruir os guardas de segurança a serem menos arrogantes e mais atenciosos com os idosos.

Estive hoje na agência do Banco do Brasil da Avenida Bartolomeu Mitre, no Rio. O cenário era o de sempre: dezenas de pessoas sentadas e outras de pé, já que os assentos não são suficientes. Todos aguardando a sua vez de chegar até o caixa. Muitos velhos. Velhinhos mesmo. Angustiante ver o semblante de desamparo deles, ali, olhando para o nada, tratados como cidadãos de segunda classe ou de classe alguma, num flagrante desrespeito às normas que o banco deveria seguir, como instituição civilizada.

Afinal, quanto do lucro que auferiram no primeiro semestre do ano não veio do bolso dos maiores de 60? Precisamos nos unir para lutar contra essa má vontade, esse despreparo dos bancos na hora de lidar com idosos. Sugiro uma campanha com o título “Por bancos mais respeitosos com os mais velhos”.

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2 comentários

  1. Penso que esta situação é extensiva a todas as pessoas, de qualquer idade, mas, sem dúvida, ela é mais aviltante e grave no que diz respeito aos idosos.
    Precisamos acabar com esse desrespeito, denunciando, reclamando, agindo.

  2. Pois é, né?

    Aqui em Iturama/MG, acontece que as filas nos bancos são enormes. Temos que ficar todo o horário de almoço para ir aos caixas dos bancos, onde o atendimento demora mais de uma hora, no mínimo. Trabalhamos muito e não temos tempo nem de almoçar para resolver problema de banco.

    E o que vemos é que os aposentados e alguns outros que já considero “aproveitadores”, alguns que nunca trabalharam na vida, sempre ficaram nas praças “marretando” ou vivendo a vida na flauta, agora que estão perto de completar 60 anos, já vão lá tirar a magnífica senha “preferencial” e são atendidos SEMPRE na frente de um monte de gente que tem que TRABALHAR DURO mais de 12hs/dia para sustentar toda essa máquina.

    As pessoas de idade tem o dia todo livre e são atendidos na frente dos trabalhadores. Alguns estão com ótima saúde e ainda abrem um belo de um sorriso ao passar na frente dos que tem os minutos contados para ir ao banco e voltar ao trabalho sem almoçar. Os que passam na frente sentam nas praças na frente dos bancos para conversar à toa, ou vão para suas casas ver TV, cuidar da vida, etc… enquanto os que têm horário apertado ficam lá na fila.

    Já vivenciei isso não só 1 vez, mas várias vezes dentro de um único mês.

    Acho que já que o tempo deles é bem mais flexível que o nosso, que esperem como os outros, no mínimo.

    Triste esses privilégios.

    Deveriam ter prioridade só pra quem tem mais de 80 anos, por questão de humanidade, saúde e respeito. Ver uns velhos de 60 anos rindo da sua cara quando são atendidos na frente da fila pra depois não fazerem nada dá vontade é de se revoltar, mesmo, pra não dizer outra coisa.

    Pronto. Falei.

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