Quarentena está levando mulheres a deixar o grisalho aparecer

Aos 59 anos, a apresentadora Astrid Fontenelle optou pelo natural. Foto: Internet

Estamos completando quatro meses de quarentena. Quatro meses fugindo de qualquer contato com o temido novo coronavírus. A forma como estamos vivendo estes tempos está mudando as pessoas, cada um a sua maneira. Muitas mulheres, por exemplo, estão aproveitando o isolamento para fazer uma grande transformação no visual: deixaram de pintar os cabelos. Abandonaram de vez as tintas, das quais foram escravas durante tanto tempo. É preciso ter praticidade, repaginar a vaidade e, principalmente, não se importar com as críticas de pessoas que preferem a gente com o cabelo tingido. É cada vez maior o número de mulheres que vêm agindo assim.

Leia a ótima reportagem de Sílvia Ruiz, do blog Ageless, publicado pelo Uol:

Na semana passada, fiz um vídeo-tutorial no meu perfil no Instagram (me siga lá também @silviaruizmanga) com meu cabeleireiro, Gabriel Deodato, mostrando como retocar as raízes do cabelo em casa durante a quarentena. Mesmo aos 50 anos, tenho poucos fios brancos e fiz o retoque mais para a cor da raiz ficar no mesmo tom do comprimento. Mas o que me chamou atenção foi a quantidade de mensagens que recebi de mulheres que resolveram aproveitar a quarentena para fazer justamente o contrário: deixar de pintar e assumir os grisalhos. Ou seja, estava na hora de um tutorial para quem quer fazer a transição para os cabelos prateados também. –

E não são apenas mulheres anônimas que estão largando a tinta. Famosas como a cantora Fafá de Belém e a apresentadora Astrid Fontenelle estão exibindo suas raízes brancas nas redes sociais e na TV sem medo de ser feliz.

Chegando aos 64 anos de vida, Fafá de Belém foi outra que se rendeu. Foto: Internet

“Eu aproveitei muito a quarentena para deixar os grisalhos livres de química. Na verdade, eu já tinha essa vontade há alguns anos, mas fui demovida da ideia porque diziam que ia envelhecer e todos os estereótipos. Eu alentei essa vontade e ia guardando em uma pasta que eu tenho no Pinterest, chamada ‘Para quando eu envelhecer’, várias senhorinhas de cabelo grisalho modernérrimas e estilosas. Quando veio a quarentena, eu agarrei essa oportunidade e pretendo, sim, sim, deixar assim depois. Tenho recebido muitos elogios. Estou adorando esse retorno positivo das pessoas”, conta a apresentadora do Saia Justa.

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Aos 59 anos, Astrid até recusou proposta de uma marca de tintura para pintar, porque está curtindo o momento. “Ele tem uma tonalidade que orna com o loiro, então o contraste não é tão grande. Mas eu concordo também que ele pode envelhecer, por isso eu procuro deixar o cabelo sempre arrumado, ter uma maquiagem.”

A  empresária Mia Athayde, de 60 anos, é outra que está adorando suas novas madeixas. No caso dela, a opção para atravessar a fase de transição foi adotar um corte novo. “Desde os 30 eu pintava os cabelos. É uma escravidão, quando os primeiros milímetros começavam a aparecer eu já corria para pintar as raízes. E sempre achei que deixar os cabelos brancos poderia ser uma boa opção. Poderia ficar diferente, charmoso… Com a quarentena vi uma oportunidade de fazer a experiência”, conta ela. “Eu não queria ficar com aquela cara de desarrumada, então minha opção foi por cortar bem curtinho.  Descolori algumas mexas também para se misturarem.”

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E, realmente, por que não experimentar se a gente tem vontade? De fato, existe uma pressão social para nós, mulheres, escondermos nosso processo natural de envelhecimento. “Já tive experiência de pessoas que não gostam darem opinião sobre minha transição sem serem solicitadas”, diz a arquiteta Tati Marques, de 45 anos, outra “grisalha quarentener”, referindo-se a críticas que muitas vezes vêm das próprias mulheres.

Empresária Mia Athayde, 60, em três tempos. Foto: Internet

“Interessante ver a reação das amigas, você percebe o estranhamento, o olhar. Quer ver a força do patriarcado? Deixe os cabelos brancos. Faz muita feminista sair do corpo! Mas é natural, são muitos anos da cultura da juventude. Mesmo com todo o debate, acho que muitas mulheres estão se deformando nessa loucura de parecer mais jovem”, diz a advogada e professora universitária Dirceia Moreira, de 54 anos, que também está no meio do processo de transição.

Dicas para quem quer adotar os fios prateados

Bom, bora nos libertarmos de qualquer regra? Quer seguir pintando? Seja feliz! Quer assumir as madeixas prateadas? O Gabriel Deodato dá algumas dicas para o processo ser menos penoso:

Luzes para igualar a cor

Para evitar aquela faixa de cabelo branco na raiz, Gabriel recomenda descolorir os cabelos no comprimento. “Tem que dar uma boa descolorida com mexas bem finas no tom mais claro possível e depois tonalizar com um tom acinzentado. Assim o comprimento vai ficar mais mesclado com a raiz branca”, diz o cabeleireiro. “Mas eu não recomendo fazer esse processo em casa sozinha, é bom que um profissional avalie o cabelo e faça um bom trabalho.”

Corte é tudo

Sempre existe a opção de radicalizar e cortar o cabelo curto para acelerar o processo. “Aliás, um dos segredos para quem adota os fios grisalhos não ficar com ar envelhecido é investir num bom corte. Curto ou longo, o corte vai ser muito importante para manter um ar moderno”, diz Gabriel.

Cuidados especiais na lavagem

Uma atenção especial para ter os fios brancos sempre bonitos é dedicar tempo extra na lavagem dos cabelos. “O pouco de xampu ou condicionador que ficar no cabelo vai oxidar com o sol ou uso de secador e ficar amarelado. Por isso tem que enxaguar muito bem mesmo”, diz o cabeleireiro.

Outra dica é lavar de vez em quando (a cada 15 dias mais ou menos) com aqueles xampus do tipo “silver”, próprios para cabelos grisalhos. Mas não exagere, porque senão o cabelo vai ficar roxo por conta do pigmento que esses produtos têm na fórmula.

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Um comentário

  1. Eu ja estava com os cabelos todo brancos. Durante esta quarentena cansei pq nem tinha mais corte e resolvi pintar depois de uns 4 anos sem tinta. Foi um desastre. Agora terei que começar tudo de novo. Nem tenho um bom cabeleireiro por aqui como tinha no Brasil. Mas a experiencia valeu pois agora nao vou correr do branco mais! Que os outros aceitem. Se não, azar deles!

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