Reposição hormonal: 40% risco de câncer de ovário

Muitas mulheres estão se submetendo à reposição. A polêmica continua

Muitas mulheres estão se submetendo à reposição. A polêmica continua

Terapia de Reposição Hormonal é um dos assuntos mais polêmicos quando se trata de discutir a mulher e a menopausa. A controvérsia é causada pelo fato de os médicos de os médicos terem opiniões diferentes em relação à TRH. Na Inglaterra, meu médico dizia que a mulher só deveria se submeter à reposição durante cinco anos. No Brasil, a minha ginecologista achava que não. Eu fiz terapia hormonal durante muitos anos. Até que parei, por iniciativa própria. Neste artigo, publicado no blog do Dr. Alexandre Faisal, o médico fala dos grandes riscos da TRH.

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Um aspecto importante sobre o impacto da reposição hormonal na menopausa e o câncer de ovário é que possivelmente 50% dos estudos epidemiológicos sobre esta associação permanecem inéditos. O que significa que muitas mulheres podem estar fazendo uso deste tipo de tratamento sem saber exatamente os riscos do surgimento do câncer ovariano. Pois bem, uma recente publicação no Lancet fez uma revisão de 52 estudos afins de alta qualidade científica procurando minimizar este grave viés de publicação. Quantos aos resultados observados no seguimento das participantes, 12.110 mulheres na pós-menopausa desenvolveram câncer de ovário. 55% (6601) delas haviam usado terapia hormonal. Dentre as mulheres consideradas com usuárias do tratamento, o risco de câncer era maior mesmo naquelas com menos de 5 anos de uso. Um aumento médio de risco da ordem de 43%. Combinando dados de usuárias atuais ou recentes, com qualquer duração, mas que haviam parado com menos de 5 anos do diagnóstico, o risco também foi significativamente maior: 37%.

Isso se manteve tanto para estudos americanos quanto europeus, bem como para tratamento só com estrógenos ou com a associação estrógeno-progesterona. A boa notícia é que o risco declinou após mais de 10 anos de interrupção da reposição hormonal. Declinou, mas não sumiu para alguns tipos de câncer (tumores seroso ou endometrióides). Os autores concluem afirmando que não se trata de associação casual, mas sim causal, ou seja, o aumento do risco pode muito bem ser, em grande parte ou totalmente explicado pela terapia hormonal.

E para ser mais preciso, eles fazem a seguinte estimativa: se isso for realmente verdade, eles estimam que se 1000 mulheres ao redor dos 50 anos de idade usarem a terapia hormonal por mais de 5 anos um caso adicional de câncer de ovário surgirá. E uma em cada 1700 usuárias morrerá em função deste câncer. Como se vê, a reposição hormonal está na berlinda novamente.

(Collaborative Group on Epidemiological Studies of Ovarian Cancer. Menopausal hormone use and ovarian cancer risk: individual participant meta-analysis of 52 epidemiological studies. Lancet 385, 2015)

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