Morre uma das maiores defensoras dos direitos das mulheres

Simone Veil teve papel fundamental na descriminalização do aborto na França, em 1974

Simone Veil teve papel fundamental na descriminalização do aborto na França, em 1974

Maya Santana, 50emais

Morreu nesta sexta-feira, 30 de junho, às vésperas de completar 90 anos, Simone Veil, uma das figuras mais marcantes da França, símbolo maior do feminismo francês. Ela era uma sobrevivente do holocausto. O presidente Emmanuel Macron se pronunciou assim sobre morte da mulher que foi a primeira presidente do Parlamento Europeu: “Que o seu exemplo sirva de inspiração aos nossos compatriotas, que encontrarão nela o melhor da França.”

A vida intensa de Simone Veil, sobrevivente do Holocausto, figura-chave da vida política francesa, referência do feminismo e uma defensora convicta do europeísmo, chegou ao fim nesta sexta-feira, aos 89 anos completos.“Minha mãe morreu nesta manhã em sua casa”, em Paris, confirmou o filho, Jean Veil, à agência France Presse. Simone Veil faria 90 anos em 13 de julho.

O mundo político francês reagiu com consternação à perda de uma figura que marcou boa parte da política do século XX na França e na Europa e que se manteve como referência no século XXI. “Que o seu exemplo sirva de inspiração aos nossos compatriotas, que encontrarão nela o melhor da França”, disse o presidente do país, Emmanuel Macron depois de tomar conhecimento da morte daquela que, como ministra da Saúde, defendeu e instituiu a descriminalização do aborto, por meio da “Lei Veil”, cuja defesa diante de uma Assembleia Nacional composta quase exclusivamente por homens se transformou em uma das imagens icônicas da política francesa.

Mas essa não foi a primeira nem a última batalha de uma mulher que desde muito jovem se viu arrastada, não apenas envolvida, pela história. Simone Jacob, seu nome de solteira, nasceu em 13 de julho de 1927 em Nice, no seio de uma família judaica laica. Todos os seus membros – seus pais, seu irmão e suas duas irmãs — foram deportados em 1944. Ela acabou, junto com a mãe e sua irmã Milou, em Auschwitz. Somente as três irmãs sobreviveram ao Holocausto. “Creio que sou uma otimista, mas, desde 1945, não alimento mais ilusões. Daquela experiência terrível eu guardei a convicção de que alguns seres humanos são capazes do melhor e do pior”, disse Veil em uma entrevista, dez anos atrás.

Ela afirma que ter sobrevivido ao Holocausto a fez “querer viver” e também contar aquilo que viveu, para que jamais fosse esquecido, razão pela qual decidiu não retirar o número de prisioneira (78651) tatuado em seu braço pelos nazistas na sua chegada ao campo de concentração. Simone cumpriu totalmente essa promessa, como presidente da Fundação para a Memória do Holocausto e com seu trabalho à frente do fundo para as vítimas, vinculado ao Tribunal Penal Internacional (TPI).

Veil também teve uma vida intensa marcada por um forte e diversificado engajamento político. Magistrada, ela empreende uma virada definitiva em sua vida em 1974, quando o então primeiro-ministro Jacques Chirac a convidou para ser ministra da Saúde, posto a partir do qual enfrentou até mesmo uma parte de seus amigos com sua proposta de legalização do aborto. “Não podemos continuar de olhos fechados diante dos 300.000 abortos que ocorrem todos os anos, que mutilam as mulheres deste país, passam por cima de nossas leis e humilham ou traumatizam aquelas que são obrigadas a recorrer a eles”, declarou ao defender uma lei que lhe valeu até mesmo comparações com Hitler, segundo lamentaria anos depois. Clique aqui para ler mais.

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