Arquivos de Tag: poema

Infância – Carlos Drummond de Andrade

Meu pai montava a cavalo, ia para o campo. Minha mãe ficava sentada cosendo. Meu irmão pequeno dormia. Eu sozinho menino entre mangueiras lia a história de Robinson Crusoé, comprida história que não acaba mais. No meio-dia branco de luz uma voz que aprendeu a ninar nos longes da senzala – e nunca se esqueceu chamava para o café. Café ... Leia Mais »

Saudades

Hoje, 24 de junho, dia de São João, a minha mãe, Clara, faria 93 anos. Ela partiu numa ensolarada manhã de domingo de agosto, em 2008, deixando muito mais do que saudade. Marco sempre o aniversário dela, publicando aqui este poema, escrito pela minha irmã Lisa Santana: Quando o meu pai morreu Apesar de não ser mais tão moça Me encolhi ... Leia Mais »

Flores e Fuzil

A solidariedade da jornalista Maria Cristina Bahia com as mães das 200 jovens estudantes sequestradas na Nigéria pelo grupo Boko Haram, liderado pelo inominável Abubakar Shekau, inspirou este belo poema, visceral, com o qual a autora homenageia todas as aflitas mães nigerianas. “E outras milhares de mães (no Brasil e pelo mundo afora) que urram por seus filhos mortos”: Não quero ... Leia Mais »

Assassinato

Lisa Santana Eu não tinha intenção De matar as lagartas Que comiam as folhas De minha samambaia Só não sabia o que fazer com elas. No ápice de minha dúvida Lembrei-me de que as lagartas Logo se transformariam em borboletas. Mas antes Teriam comido toda a minha samambaia Matando-a. E sem que eu desse por conta Me vi jogando-as pela ... Leia Mais »

Meu Pai, por Lisa Santana

Meus olhos de menina Viam o meu pai muito grande Aquele meu pai que não era De falar muito com crianças Mas estava sempre enrabichado com elas. Nos acordava cedinho,  Eu e meus três irmãos mais novos  Nos empoleirava na boleia de seu jipe… E lá íamos nós… em um silêncio quase medroso Mas achando que o mundo Era o ... Leia Mais »

A maior tragédia de nossas vidas

  Fabricio Carpinejar Morri em Santa Maria hoje. Quem não morreu? Morri na Rua dos Andradas, 1925. Numa ladeira encrespada de fumaça. A fumaça nunca foi tão negra no Rio Grande do Sul. Nunca uma nuvem foi tão nefasta. Nem as tempestades mais mórbidas e elétricas desejam sua companhia. Seguirá sozinha, avulsa, página arrancada de um mapa. A fumaça corrompeu ... Leia Mais »