Tarot: Construindo o nosso próprio destino

Uma reflexão: como é importante nos reerguermos

Para refletir: como é importante nos reerguermos

Alexandre Moreira, Tarólogo

Há algumas cartas do tarot que, infelizmente, a grande maioria das pessoas que buscam consultar esse oráculo temem e consideram-nas negativas. Ainda que sempre se procure reforçar que cada carta desse jogo tem 2 aspectos, um positivo e outro oposto a esse, a maioria dos consulentes assustam-se ao se depararem com a figura de alguns arcanos no decorrer de uma leitura. A Torre, Arcano XVI, é uma dessas cartas.

Reconheço que a própria imagem mais difundida da Torre, com 2 corpos caindo de uma construção alta e em chamas, não é uma imagem das mais atraentes e nem é preciso muita coisa para quem a aprecia entender que o cenário não parece ser ameno, convidativo ou favorável. É mesmo assustador ver-se um raio atingindo o alto de uma torre, explodindo sua cúpula e arremessando 2 figuras numa queda livre em direção a um trágico fim. Mas, se abstrairmos a imagem normalmente apresentada, podemos nos concentrar no que as torres são e representam.

Antes de mais nada, as torres foram criadas como pontos de observação. Fosse para o estudo das estrelas, fosse para facilitar a visão da proximidade de tropas inimigas ou mesmo para supervisionar o trabalho alheio, as torres são ótimos observatórios pois ampliam o nosso ângulo de visão ao nos elevar em relação ao solo. As torres também foram utilizadas através da história como masmorras, calabouços, lugar de isolamento de quem quer que pudesse representar uma ameaça: desafetos, inimigos, prisioneiros. Como símbolo de status, as torres se destacam como uma construção que desafia a gravidade, que permite que determinados indivíduos vivam “acima” do plano em que a maioria habita, desfrutando de uma paisagem mais ampla que passa a ser considerada como “sua”.

As torres podem representar, também, o Ego, o nosso “Eu”, a construção da nossa personalidade, a coluna vertebral que sustenta nosso físico e nosso espírito. Por serem mais altas que os seres humanos, representam a necessidade que mulheres e homens de todas as épocas, raças, gêneros, lugares, sentiam de se aproximarem de Deus (que mora no alto, nos céus, dentro do imaginário criado ao longo das eras), sendo a mítica Torre de Babel o exemplo de que essa pretensão acaba não dando certo na maioria das vezes…

Porém não deveríamos nos esquecer que o aparecimento de uma Torre pode, sempre dependendo do assunto em questão e das demais cartas que a acompanham, representar o indivíduo em construção. Ou seja, um momento em que estamos nos vendo por inteiros, acreditando nos nossos recursos, talentos, capacidade. Em que investimos conscientemente (e não por orgulho ou pretensão) na ampliação do nosso negócio, da nossa empresa, no nosso mercado de trabalho. No aprimoramento da nossa educação, atingindo metas (pós-graduação, mestrado, doutorado, etc), crescendo dentro do meio acadêmico ou então quando somos recompensados com um verdadeiramente merecido prêmio, diploma, certificado de qualidade, pelo nosso desempenho em qualquer área. Quando, por nossos méritos pessoais devidos a um plano bem concebido, perfeitamente executado e com resultados comprovadamente sólidos, recebemos o reconhecimento público.

Num jogo de tarot, uma leitura positiva da carta da Torre pode simbolizar morar (ou ir morar) num edifício de apartamentos, um escritório, um hotel, uma biblioteca, uma igreja. Pode representar uma pessoa elegante, discreta, tradicional, sábia, informada, digna, poderosa. Um autodidata, alguém que se “constrói”, dia a dia, sobre uma base sólida e com uma estratégia de crescimento bastante objetiva e séria, também pode ser visto como uma “torre”. E num domingo como este, último dia do mês, ela poderia muito bem estar aqui para nos fazer refletir em como é importante nos reerguermos, não importa o motivo da “queda”, com novas energias, novas esperanças, novos horizontes em mente para serem explorados, novas perspectivas e ângulos para olharmos o futuro e trabalharmos para a sólida e aprazível “construção” de cada um dos nossos dias.

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