Discriminação contra a mulher durará 300 anos

advogada e historiadora Joan Williams

advogada e historiadora Joan Williams

Esta é uma ótima entrevista, publicada pela revista Época, com uma especialista nas relações entre mulheres, homens e mercado de trabalho. Para ela, há uma discriminação explícita, com a mulher ainda tendo que fazer muito mais do que o homem para ser vista da mesma forma.”No ambiente de trabalho, a supremacia masculina é uma cultura tão forte que é assimilada de forma automática e inconsciente. É por isso que muitos homens não assumem que existe discriminação com as mulheres”, diz ela.

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O interesse da advogada e historiadora Joan Williams pelo tema mulher e trabalho surgiu no primeiro dia de aula na Faculdade de Direito da Universidade Harvard, em 1974. Não havia outras mulheres na classe. “Muitas se inscrevem, mas elas não são qualificadas o suficiente”, disse o reitor. “Nos anos em que passei em grandes escritórios de advocacia, constatei que podíamos ser eficientes, mas nunca seríamos ‘qualificadas o suficiente’”, diz Joan, que se tornou uma estudiosa do assunto.

Ela fundou o Centro de Trabalho, Vida e Direitos na Universidade Hastings e escreveu nove livros. No mais recente, What works for women at work (O que funciona para mulheres no trabalho), Joan disseca padrões de comportamento que descobriu em mais de 30 anos de pesquisa.

ÉPOCA – Em sua pesquisa, a senhora identificou padrões de comportamento no ambiente de trabalho que dificultam a ascensão profissional das mulheres. Como chegou a essas conclusões?
​Joan Williams – Mergulhamos em 35 anos de estudos sociológicos e de psicologia social sobre as relações de mulheres e de homens, separadamente, com o ambiente de trabalho. Rastreamos problemas, resultados e padrões de ascensão e de estagnação de carreira. Depois, montamos um grupo com 127 executivas de empresas da lista das 500 maiores da (revista americana) Fortune, com quem trabalhamos por mais de três anos. O objetivo foi confrontar padrões da pesquisa com o que ocorre hoje e saber como elas agem para contorná-los.

ÉPOCA – Há dois anos, a escritora Hannah Rosin escreveu o livro The end of man (O fim do homem), um sucesso de vendas. Ela defende que as mulheres serão mais valorizadas e ganharão mais que os homens em poucos anos. O que a senhora acha dessa tese?
Joan – The end of man é um livro tolo, que se baseou em pesquisas com trabalhadores braçais para tirar conclusões gerais. O mais perto da realidade que a tese de Hannah chegou foi identificar que, nos próximos anos, o papel do homem e da mulher entre trabalhadores braçais mudará. Isso ocorrerá por uma questão simples: essa classe tende a desaparecer em países desenvolvidos. Não é uma questão de gênero.

ÉPOCA – Todas as executivas do grupo de trabalho enfrentaram os preconceitos identificados na pesquisa?
Joan – Para ser exata, 96% delas passaram por pelo menos três dos quatro padrões que identificamos, muitas vezes. É curioso como algumas atitudes ocorrem com frequência para todas elas. A “ideia roubada” ou “síndrome da lagarta-borboleta” foi uma delas. Ocorre quando uma mulher faz uma sugestão que é posta de lado, ignorada, como se faz com uma lagarta no caminho. Então, um colega homem percebe o potencial daquela ideia, a traz à tona novamente e é tratado como... Einstein. A mesma ideia que é ignorada na voz de uma mulher é supervalorizada na boca de um homem. Clique aqui para ler mais.

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