Trabalho: preconceito com mais os velhos está aumentando

Rafael Souto: Afirmar que alguém com 50 anos não tem capacidade de inovar ou está defasado tecnicamente não faz sentido

Maya Santana, 50emais

Este artigo do empresário Rafael Souto – sócio-fundador da Produtive Carreira e Conexões com o Mercado -, publicado no jornal Valor Econômico, mostra o quanto ainda estamos distantes da valorização da pessoa mais velha no mercado de trabalho. E ele fala com conhecimento de causa, pois é um executivo que fundou a sua própria empresa. “Na prática, poucas empresas aceitam profissionais nessa faixa etária (com mais de 55 anos). A partir dos 40 anos de idade não estar em posições de alta gestão já começa a indicar dificuldades de recolocação” – afirma ele, comentando que “embora exista um discurso sobre diversidade e inovação, seguimos presos a estereótipos e modelos antigos de contratação.” Um balde de água fria em tanta gente que já passou dos 50 anos e aguarda uma oportunidade para voltar ao mercado de trabalho. Há até algumas empresas oferecendo trabalho para essa faixa etária, mas, pelo tamanho do mercado, as contratações ainda são muito poucas.

Leia o artigo do empresário:

Tenho sido um feroz crítico dos estereótipos e dos modismos corporativos. Parece que estamos no auge do potencial criativo de frases de efeito e discursos ilusórios que não conferem com a realidade das empresas.

O preconceito com os mais velhos persiste e parece estar profundamente ancorado no modelo mental dos contratantes. Recrutar pessoas com mais de 55 anos fica restrito a algumas posições de alta gestão. Na prática, poucas empresas aceitam profissionais nessa faixa etária. A partir dos 40 anos de idade não estar em posições de alta gestão já começa a indicar dificuldades de recolocação.

A oferta abundante de profissionais disponíveis demitidos no pandemônio econômico que o Brasil viveu nos últimos anos contribuiu para esse drama. Com uma maior oferta de pessoas disponíveis, as empresas pisaram fundo no acelerador do preconceito.

Embora exista um discurso sobre diversidade e inovação, seguimos presos a estereótipos e modelos antigos de contratação e desenvolvimento. Várias crenças e rótulos limitam o espaço dos mais velhos. O site Vagas.com fez um mapeamento com as restrições que afastam as pessoas com mais de 55 anos do mercado de trabalho.

Pelo levantamento, há diversos entraves para a contratação de profissionais mais experientes. A maioria das companhias (62,2%) resiste em contratar quem está (ou já passou) dessa faixa etária por considerar que o salário é alto (56%), ou pelo perfil conservador (40,6%), ou porque há pouco respeito dessa geração na gestão de pessoas mais jovens (30,5%). Na lista, também aparecem a característica pouco inovador (26,5%), a própria idade (23%) e o conhecimento técnico defasado (19,7%).

É fato que estamos vivendo mais: pesquisas revelam que a expectativa de vida dos brasileiros está próxima dos 80 anos. Estamos discutindo reformas inadiáveis no sistema de previdência que determinarão a necessidade de trabalharmos mais antes da aposentadoria. As pessoas também querem continuar produtivas. Por isso, a generalização e o preconceito com a idade estão na contramão da sociedade. Clique aqui para ler mais.

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