Trabalho: temendo o envelhecimento, elas ‘vampirizam’ os jovens

A poderosa Cheryl Sandberg, vice-presidente do Facebook – a foto é apenas ilustrativa

Cris Campos, 50emais

Em artigo recente postado aqui no 50emais, Eliane Brum comenta que “juventude hoje não é mais uma fase da vida, mas uma vida inteira”. De fato, o Capitalismo e suas principais ferramentas, a publicidade e o consumismo, elegeram a juventude como o grande fetiche dos nossos tempos. Daí o pavor da pessoas, principalmente das mulheres, de envelhecer. E isso se reflete no mercado de trabalho.

Às vésperas dos 70, noto que essa medo se instala, exatamente, na virada dos 50. Observei o fenômeno, pela primeira vez, após a virada do século, quando ainda tentava sobreviver no mercado publicitário. Recém-chegada de uma temporada no Maranhão, entrei como freelancer ( sem vínculo empregatício com a empresa) na criação de uma grande agência paulista.

Num momento em que os empregados já não eram mais registrados, os contratos como o meu conseguiam ser ainda mais precários. Nunca sabíamos se teríamos emprego no mês seguinte.

Detectei, então, nas mulheres da minha idade, uma tentativa desesperada de sugar os jovens em todos os sentidos. Como trabalhávamos com linguagem, as que não tinham filhos bebiam da linguagem dos estagiários para parecer bem atualizadas.

A diretora, por exemplo, se encantou com a expressão “fui” que a molecada começava a usar e decidiu aproveitá-la no lançamento de uma sopa da Nestlé, ainda que não fizesse o menor sentido.

A diretora de arte, por sua vez, que teoricamente seria minha parceira, colava, desesperadamente, numa redatora mais jovem, tentando sorver sua juventude. Era patético!

Jamais imaginei que viveria isso de novo. Muito menos no serviço público onde, a princípio, a pisada de bola tem que ser muito feia para alguém ser exonerado. Pois não é que estou assistindo à reprise do filme? Exatamente com profissionais à beira dos 50. Elas até mudam o tom de voz pra se dirigir aos estagiários e estagiárias de Direito.

De um lado, a receptividade da garotada aos seus “ensinamentos” massageia egos doloridos pelas diárias fustigadas do espelho e dos ponteiros das balanças, que à exemplo dos relógios, se recusam a andar pra trás.

A vampirização chegou a tal ponto que, recentemente, uma dessas senhoras embarcou nas férias para Bali, exatamente um mês depois de a estagiária linda e magra ter regressado de lá carregada de roupas descoladas e de ensinamentos budistas.

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2 comentários

  1. Vampirismo penso que faz parte da personalidade, frustração temos todos e, uns mais outros menos, em vários momentos da idade sempre alguém observa e demonstra algo que, para determinadas pessoas é importante, mas, percebo um outro lado: Jovens mulheres lindas sem criatividade, sem iniciativa, e que não sabem se comunicar adequadamente, demonstram e comentam a inveja das maduras que usam pouca maquiagem, não usam saltos e tem excelente comunicação, são criativas e capacitadas, mas infelizmente também notei “algumas empresas” colocam a beleza acima de tudo, até às mulheres em cargos de chefia, presenciei o exagero de cabelos, maquiagens, saltos, como se isso fosse mais importante que a sabedoria e boa comunicação. Enfim, concluo que várias situações devem ser consideradas, cada um tem experiências diferentes e somando podemos equilibrar o bom relacionamento das gerações e aprendendo, tirando o melhor de cada uma e assim, sejam maduras ou jovens, evoluindo umas com as outras.
    Mais jovens são mais inseguras ou depende das frustrações de ambas as idades. Acredito que a cultura, formação educação da família favoreçam o bom relacionamento, mas não é uma regra e sim uma vivência particular.
    Presenciei homem diretor com 60 anos utilizando gírias como a palavra “beleza?” no lugar de: tudo bem?, para um funcionário jovem, com o intuito de equilibrar a comunicação, deixar o funcionário mais relaxado.

  2. Na contra-mão dessa tendência. Nos últimos 20 anos tenho ensinado aos meus alunos de Técnica Vocal mais jovens que devemos nos tornar os Mestres da nossa sociedade quando alcançarmos a idade superior aos 60 anos. Sugiro que essa preparação precisa começar quando ainda estamos na faixa etária dos 20 anos. Minha realização pessoal aponta que quando meus cabelos começaram a ficar mais brancos a maioria das pessoas incluindo jovens passou a dar mais crédito às minhas opiniões e aos meus ensinamentos. Ora! Todos nós tivemos ou temos alguém mais velho na família que é sempre uma referência quando precisamos de orientações. Acaba que continuamos a levar essa experiência de relação com os mais velhos para fora do nosso ambiente familiar contrariando o modelo social imposto pelo sistema econômico de consumo. Por outro lado nas culturas de origem africana os idosos e idosas são os Mestres naturais e com isso são muito respeitados dentro do seu grupo social. Porém no modelo social ocidental de origem europeia a pessoa idosa é considerada ultrapassada e descartável. Temos informação de que os gregos já pensavam dessa forma. Então qual é o melhor modelo para quem?

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