Viagra feminino será lançado em poucos dias nos EUA. E no Brasil?

O Addyi terá sua comercialização nos EUA no próximo dia 17

O Addyi será comercializado nos EUA a partir do próximo dia 17

*Dr. Márcio de Sá –

Só agora, 17 anos depois do surgimento do Viagra, em 1998, remédio destinado a combater a disfunção da ereção masculina a partir dos 40 anos, começará a ser comercializado nos Estados Unidos o Addyi, primeiro medicamento contra o distúrbio de desejo sexual nas mulheres na pré-menopausa. O lançamento está previsto para o dia 17 desse mês.

A compra do medicamento, cujo preço ainda não foi divulgado, só poderá ser realizada com apresentação obrigatória de uma receita médica. O laboratório americano Sprout Pharmaceutics, que desenvolveu o medicamento, ainda não tem data prevista para o seu lançamento no Brasil. Acredito, porém, não demorará tanto, já que no caso da comercialização do Viagra, há quase duas décadas, o remédio chegou às farmácias americanas em abril de 1998; e aqui, em junho do mesmo ano.

Ainda desconhecido

Há divergências sobre as razões da perda ou diminuição da libido – Desejo Sexual Hipoativo – nas mulheres na pré-menopausa. Muitos sexólogos acreditam que oscilações no desejo sexual são normais, principalmente entre mulheres a partir da meia idade. Já outros especialistas defendem que a falta de desejo é um distúrbio que resulta do desequilíbrio de algumas substâncias químicas do cérebro e que, assim, pode ser tratado com medicamentos específicos. O Addyi vai ao encontro dessa tese.

A Sidelnafila, princípio ativo do Viagra, atua aumentando e estimulando a circulação sanguínea no pênis, proporcionando uma ereção suficiente e que se mantém, necessária a uma relação sexual plena. Ele deve ser tomado cerca de uma hora antes do início de uma relação sexual. A Disfunção Erétil é um problema mecânico peniano, razão do uso pontual do medicamento.

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Quanto à Flibanserin, príncípo ativo não-hormonal do Addyi – nome comercial do medicamento nos Estados Unidos – o chamado “Viagra feminino”, atua nos neurotransmissores (serotonina) do cérebro para tratar a perda do interesse sexual, mas o mecanismo pelo qual melhora o desejo sexual feminino não é atualmente conhecido.

Deve ser tomado uma vez por dia

Deve ser tomado uma vez por dia

Tomar continuamente

Contrariamente ao Viagra – que tem uma ação local no pênis e que, assim, deve ser usado antes da relação sexual e cujo efeito dura algumas horas -, o Addyi, que age no Sistema Nervoso Central, deve ser tomado continuamente, um comprimido de 100mg, uma vez por dia, ao deitar (para ajudar a diminuir os efeitos colaterais). O efeito pleno do medicamento, ou seja, o retorno ou aumento da libido pode demorar algumas semanas para ser completamente alcançado.

O uso do medicamento deve ser interrompido após oito semanas, se não houver melhora do desejo sexual e da ansiedade associada a ele. O Desejo Sexual Hipoativo é um problema psíquico, razão da necessidade do uso constante do medicamento.

O Addyi obteve há menos de dois meses – 18 de agosto – o aval final da Food and Drug Administration (FDA), o respeitado órgão americano que regula e controla medicamentos e alimentos para iniciar a sua comercialização. O medicamento foi liberado após a análise dos resultados dos ensaios terapêuticos com cerca de 2400 mulheres na pré-menopausa com Desejo Sexual Hipoativo. Foi demonstrado um real benefício – aumento no desejo sexual – nas mulheres que tomaram o medicamento em comparação com as que tomaram o placebo (substância neutra, sem efeitos farmacológicos, administrada no lugar do medicamento que está sendo testado).

Efeitos colaterais

Como todo e qualquer medicamento, o Addyi apresenta efeitos colaterais. Os principais são hipotensão (baixa da pressão arterial) e síncope (desmaios), cuja gravidade pode ser muito aumentada pelo uso de álcool. Assim, por causa dessa potencialmente séria interação com álcool, o uso de Addyi é contra-indicado com a ingestão de álcool. O seu uso é também contra-indicado para as mulheres que usam anticoncepcionais.

Apesar do preço inicial muito provavelmente alto, quando chegar ao Brasil, e dos efeitos colaterais, comuns, aliás, a todos os medicamentos, é motivo de comemoração, mesmo depois de 17 anos, que o “Viagra feminino” esteja chegando em breve ao país.”

*Márcio de Sá é médico clínico formado pela UFMG, especialista em Medicina Preventiva, Mestre em Saúde Pública pela Université Paris VI, e trabalhou durante 11 anos no Hospital Pitié-Salpêtrière, em Paris. Ele escreve todas as terças-feira aqui no 50emais.

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7 comentários

  1. Parabéns, Marcinho, pela matéria interessante e muito informativa. Fico feliz em saber da sua colaboração para o blog da Maya.
    Abraços da amiga recente,
    Elza.

  2. Parabéns pelo artigo, Dr Marcio. É um prazer saber que o senhor agora faz parte do “time” do 50emais.

  3. Marcinho, quanto tempo!!! Que prazer te encontrar por aqui e pelo visto, trazendo bons assuntos!Há muito, muito não nos vemos, mas te guardo na memória ainda aqui em Belo Horizonte, quando eu morava com Maya na rua do ouro, no Odete. Lembra?
    O bom da vida são as boas surpresas. Grande abraço

    • Oi, Lisa, obrigado!
      Eu também guardo muito boas lembranças de você e daquele tempo!
      Parabéns pelo belo livro de poesias e pelo CD que você acabou de lançar.
      Um grande abraço e até um dia…

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