Zuenir Ventura, octogenário independente e ativo

O jornalista, 83, é uma das figuras mais queridas da cena carioca

O jornalista, 83, é uma das figuras mais queridas da cena carioca

Cristiane Segatto, da revista Época, escreve essa história maravilhosa sobre Zuenir Ventura, 83. O jornalista e escritor, juntamente com outros idosos ativos, entre eles Adib Jatene e Delfim Neto, está sendo estudado como parte do Projeto 80+, uma parceria do Centro de Estudos do Genoma Humano da Universidade de São Paulo (USP) com outras unidades da USP, para investigar se há algo de especial nos genes e no cérebro dos octogenários saudáveis.

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O escritor Zuenir Ventura, de 83 anos, é um daqueles felizardos que moram num apartamento com vista para a Praia de Ipanema. Acorda às 5h30 e caminha no calçadão. Vai de casa ao Arpoador, dali até o posto 10, no fim de Ipanema, depois retorna. É um dos segredos de sua saúde física e mental. “Se algum dia eu tive uma ideia boa foi caminhando”, diz. O hábito diário reabastece o cérebro de endorfina, o hormônio do prazer e da satisfação. É quando surge o mote para a coluna que assina no jornal O Globo ou a inspiração para novos projetos.

Um deles é um musical sobre a velhice, com estreia prevista para 2015. Não há dúvida de que o trio formado por ele, pelo escritor Luis Fernando Verissimo, de 78 anos, e pelo cartunista Ziraldo, de 82, ri à beça enquanto prepara o texto. Depois dos 60 anos, ele enfrentou um câncer de bexiga, uma experiência que o ensinou a relevar pequenos incômodos. Para quem tem energia, como ele, é difícil respeitar os limites do corpo. Recentemente, ao tentar subir correndo a escada que leva ao terraço do apartamento, levou um tombo de uma altura de oito degraus.

Ainda assim, nas contas de Zuenir, o balanço da vida é favorável à velhice. “Se soubesse que era tão bom, teria chegado aos 80 antes”, diz. Casado há 51 anos com a jornalista Mary, ele afirma que a amizade é um elemento que o tempo acrescenta ao amor. “Sentimos falta um do outro não só pelo contato físico, mas pela longa amizade.” É difícil imaginá-lo sem pessoas queridas por perto e sem um sorriso no rosto. “Tenho a vocação da alegria”, diz. Muitos dos amigos têm apenas 20 anos. A atração é mútua. “Um amigo diz que sou vampiro de jovens”, afirma. Zuenir doa atenção e recebe sangue novo. É energia para passar dos 100.

A equipe da geneticista Mayana Zatz quer saber se ele e outros idosos ativos chegaram ao mundo programados para viver muito e bem. É o mais completo estudo desse tipo já realizado no Brasil. Entender o envelhecimento é fundamental num país que, em três décadas, será tão idoso quanto o Japão é hoje. Em 2050, quase 30% dos brasileiros (64 milhões) terão mais de 60 anos. Em 2012, eles eram 11% da população (23 milhões).

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